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inferências
Diz que é uma espécie de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro
Emídio Xavier e Carlos Humberto – dois nomes que marcaram uma década
Uma coisa é certa com a chegada de Emídio Xavier ao poder, na presidência da Câmara Municipal do Barreiro, o PCP/CDU percebeu que, a partir de agora “nada será como dantes”.
Carlos Humberto foi quem melhor percebeu essa realidade politica ao ponto de, pela primeira vez, na história autárquica, o PCP/CDU ter integrado na lista para a Câmara Municipal do Barreiro um candidato de “Os Verdes”.
O sentimento que temos, emocionalmente, é que o ano 2010 marca o começo de uma nova década.
Sim, é verdade que a nova década começa em 2011, mas, emocionalmente, pelo facto de o ano 2010 fechar uma década, ficamos com a sensação que este é um tempo de transição – o fim de uma década o começo de uma nova década.
E, olhando para trás somos levados a reflectir, sobre a vida política local, e, marcando um reencontro com o tempo vivido, sentimos que dois nomes emergem na vida política barreirense, como sendo aqueles, que, de alguma forma, marcaram esta década que termina neste ano 2010 – Emídio Xavier e Carlos Humberto.
No final dos anos 90, com a queda do muro de Berlim, o desabar do modelo de «sociedade socialista» na URSS. Igualmente, com o culminar de um processo de desindustrialização que descaracterizou a vida barreirense. O fim da influência na fábrica na vida do concelho.
Um novo Barreiro estava a emergir. Sentiam-se os sinais.
O PCP/CDU foi abalado na sua liderança autárquica, perdendo a sua tradicional maioria absoluta.
No viver da cidade pulsava um sentimento de mudança. O autismo que marcava a liderança autárquica foi forçado a «aderir» a um forte movimento de contestação à construção da ETRI, no território da Quimiparque.
O Partido Socialista começou a «recolher» nas suas fileiras alguns «renegados» do comunismo.
O Partido Socialista que vivia, normalmente, voltado para as suas querelas internas, funcionando mais, muito mais, como plataforma de «gestão de lugares» regionais ou nacionais, do que assumindo-se como força politica com dinâmicas de intervenção na vida local, sentiu, timidamente, que estava ao seu alcance conquistar a presidência da Câmara Municipal do Barreiro.
Foi acreditando. Lançou propostas. Fomentou ideias. Pensou um projecto de cidade.
Marinas. Hoteis. Piscinas. Campos Desportivos.
O ano 2001 que marcou o começo desta década, que agora está a findar, ficou assinalado com a vitória do Partido Socialista nas eleições autárquicas.
Essa vitória teve um rosto Emídio Xavier.
Era uma nova esperança. Uma nova ideia de Barreiro.
Emídio Xavier – um «estrangeirado» - quebrou as barreiras de uma certa xenofobia que estava latente em discursos constantemente repetidos – “Sou do Barreiro”.
Emídio Xavier, no poder, numa sua primeira afirmação sublinhou que – “O melhor do Barreiro são os barreirenses”. Os que cá nasceram. Os que cá vivem. Os que cá trabalham.
Emídio Xavier lança o repto de discutir-se o Barreiro de 2020. Pensar o Barreiro para além do presente.
Mas, de facto, o Partido Socialista não estava preparado para ser poder. As guerrilhas e as querelas marcavam o quotidiano.
Emídio Xavier, de facto, mais que liderar era, permanentemente, um «bombeiro» a apagar fogos. O seu adversário não era o PCP/CDU era o PS e as ambições de alguns dos seus pares.
Uma coisa é certa com a chegada de Emídio Xavier ao poder, na presidência da Câmara Municipal do Barreiro, o PCP/CDU percebeu que, a partir de agora “nada será como dantes”.
Enquanto o PS se entretinha nas suas conflitualidades, sendo, até, incapaz de gerir a politica de “governabilidade autárquica” com o PSD, o PCP/CDU saiu à rua, começou a fazer o trabalho de formiguinha.
O PS era a cigarra. Alguns ( hoje na ribalta), anunciavam que a vitória estava certa com a «maioria absoluta», mais que garantida.
O PS tinha em Emídio Xavier, concordando-se ou não com ele, o grande trunfo politico.
Só que alguns, na verdade, só o queriam para «relações públicas» e a sua «morte politica», ganhando ou perdendo as eleições, estava anunciada.
A Emídio Xavier saiu-lhe a «sorte grande» ao perder as eleições, como, ainda recentemente, comentava Nuno Banza, numa entrevista ao «Rostos».
O PCP/CDU lá andava pelas ruas da cidade, nos bairros, nas associações, com um candidato anunciado – Carlos Humberto.
Recordo que comentei – “É um candidato que se deve ter em conta.”
Recordo que escutei comentários – “Não vale nada”, ou, “É muito fraquinho”, ainda escutei - “É funcionário do PCP”.
O PS auto-convenceu-se que era uma força política com expressão na cidade. Não era. Vivia à sombra de Emídio Xavier, cujo capital politico o PS não soube valorizar, antes pelo contrário denegriu – apesar de ainda hoje, contraditoriamente reivindicar que tudo o que a CDU fez no seu mandato foi herança de Emídio Xavier.
O PS foi incapaz de perceber que tinha que construir uma cidade para todos os barreirenses e, também, neste contexto, respeitar o papel de charneira do PSD, o qual era essencial à consolidação dessa estratégia.
Mas, o PS era já, sem dúvida, um partido fragmentado.
O seu «cimento» chamado Aires de Carvalho – gostem ou não gostem dele – deixou o partido sem a sua «liderança federativa» ao nível local.
Sim, Aires de Carvalho era a referência de uma «liderança federativa», que simbolizava, na prática, a «unidade das conflitualidades de forma pragmática».
Enquanto, isso, Carlos Humberto fazia a autocrítica. Lançava a estratégia da participação. Cultivava a amizade. Propunha uma cidade de inclusão.
Sabia, porque tinha aprendido a lição que tinha que construir uma cidade com todos e para todos.
Para trás tinha que ficar essa ideia da cidade dos comunistas, para os comunistas.
E, no ano 2005, o PCP/CDU reconquista a Câmara Municipal do Barreiro.
Carlos Humberto soube gerir de forma pragmática as relações com o PSD e por outro lado soube ganhar para o seu lado João Soares, que rompeu com o Partido Socialista.
O PS passou um mandato a fomentar a “guerrilha autárquica”, desconexa, sem estratégia.
O PCP/CDU foi gerindo as oportunidades. A pequena obra. A grande obra. A pequena conversa. O grande Forum.
O PCP/CDU abriu, paulatinamente, como diz repetidamente, Carlos Humberto, uma nova esperança.
Carlos Humberto era, sem dúvida o grande capital político do PCP/CDU, que soube gerir essa realidade. E o PCP/CDU soube potenciar, unindo na diversidade.
E, quando menos se esperava, porque a base eleitoral do PS, hoje, no Barreiro, é muito semelhante à do PCP/CDU reconquista de novo a «maioria absoluta».
A vitória do PCP/CDU era uma vitória anunciada. A «maioria absoluta» essa foi uma surpresa.
Claro que, para a conquista da maioria absoluta, o PCP/CDU contou, substantivamente, com o facto de o PS ter perdido credibilidade, não ter uma liderança prestigiada e viver uma permanente cultura de “guerrilha”, quer no seu seio, quer na forma de fazer política, não se assumindo como uma proposta de diferença, na forma de fazer cidade e cidadania.
Emídio Xavier, PS, foi quem abriu as portas a um Barreiro Novo, porque, por muito que os mais ortodoxos do PCP não o queiram aceitar, no Barreiro, mesmo hoje, com maioria absoluta, nada voltará a ser como dantes.
Vivemos em democracia e a democracia não se expressa apenas nos actos eleitorais, constrói-se no fazer cidade e cidadania.
Carlos Humberto foi quem melhor percebeu essa realidade politica ao ponto de, pela primeira vez, na história autárquica, o PCP/CDU ter integrado na lista para a Câmara Municipal do Barreiro um candidato de “Os Verdes”.
Carlos Humberto e Emídio Xavier foram os dois nomes que marcaram a vida política no concelho do Barreiro ao longo desta década.
Emídio Xavier dificilmente voltará a cena politica local.
Carlos Humberto tem pela frente o desafio de passar da fase da “adjectivação” que marcou o seu primeiro mandato, para uma nova fase mais “substantiva”.
É uma exigência que o futuro próximo coloca sobre a mesa.
E agora?
E agora? O PCP/CDU tem pela frente um desafio, ser capaz de demonstrar que apesar de ter «maioria absoluta» consegue gerir uma cidade para todos e com todos.
Na Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, está a demonstrar que é esse o caminho que escolheu e quer seguir, mesmo com maioria absoluta atribuiu pelouros e responsabilidades políticas aos que se disponibilizaram para trabalhar, no contexto da actual lei autárquica.
Na Assembleia Municipal do Barreiro, onde estão eleitos os mais «puros» do PCP/CDU, parece que o clima vai ser diferente e as coisas vão aquecer. Esta pode tornar-se a grande fragilidade política do PCP/CDU.
O PS parece que continua a optar pela política da «guerrilha urbana» ao estilo das «Comissões de Utentes», sendo incapaz de demonstrar que tem, ou quer ter, um projecto de cidade diferente.
Na Câmara Municipal do Barreiro segue a linha do anterior mandato. Diz-se. Consta.
Como dizia Vítor Ramalho, líder socialista de Setúbal, em entrevista ao jornal “Sol” - “a politica mede-se pelos resultados”.
Será que o PS não percebeu que, após um mandato com este estilo político de política de “terra queimada” os resultados foram a maioria absoluta?
Na Assembleia Municipal do Barreiro o PS parece estar mais àvontade e vai criar dores de cabeça ao PCP/CDU. Cá estamos para ver…dois nomes começam a sobressair João Pintassilgo e Eduardo Cabrita. Será que conseguem tornar-se uma referência para que o PS ganhe credibilidade?
Bom, mas este é um assunto que trataremos noutro tempo…porque, neste contexto, teremos que enquadrar o PSD e o BE.
António Sousa Pereira
2.1.2010 - 22:23
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comentários
| nome: |
Florindo Paliotes |
| comentario: |
Caro António Sousa Pereira
Atentamente constactei que para o Senhor não foi a credibilidade das propostas Cdu que ganhou as eleições mas a describilidade do PS.
Esta sua opinião não é mais nem menos que passar um certificado de menoridadeao eleitorado.
O que aconteceu foi muito simples- o PS no seu mandato corporizou uma série de mentiras e um grupo de assalto ao poder, tal como agora o está a fazer a nível nacional, que terminou na sua derrota.
Esta é a realidade
Florindo Paliotes |
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